aventura em palavras
terça-feira, 22 de julho de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Saber ir ao cinema
A não ser que esteja de ressaca, não sou gajo para perder um segundo com filmes de merda. Consigo vegetar em frente à televisão e ver aquele género de produções cinematográficas que na escala dos críticos fica entre a cave e o rés-do-chão. Mais ou menos onde ficam os caixotes-do-lixo. Antes de adormecer, já sei que ela não quer nada com ele porque o outro é mais giro e faz parte da equipa de futebol americano e ele é giro mas é só inteligente. No fim, claro, ela que é só gira e faz parte da claque fica com o gajo que é giro e inteligente. Um desperdício. Um gajo giro e inteligente fica com uma gaja inteligente, não perde tempo com uma idiota que só vê músculos.
Tudo isto para dizer que quando vou ao cinema gosto de ver bons filmes. Consigo emocionar-me com o neo-realismo italiano, exaltar-me com a Nouvelle Vague, apaixonar-me pelo noir do Casablanca. Mas não se preocupem que não vou servir de critico à história do cinema. Quero apenas alertar-vos para uma das grandes vantagens das salas que passam filmes fora do circuito comercial: o número de pessoas. Isso mesmo. Um imenso espaço de cadeiras vazias à disposição das vossas fantasias mais férteis. Uma vez, uma amiga convidou-me para ver um dos filmes candidatos ao Oscar. Como é óbvio não deu para fodermos. A sala estava a abarrotar de gente. Mas quando a convidei para vermos um filme italiano, agradeci à imensa sabedoria do realizador e à indiferença dos espectadores.
Abriu-me a braguilha e chupou-me o caralho enquanto a protagonista de um enredo dramático e complexo procurava libertar-se dos estigmas de uma família conservadora do norte de Itália. A minha amiga fê-lo até ao fim. Libertou-me da dureza que trazia dentro há várias semanas e vim-me para que ela pudesse saborear os jactos de esporra que lhe invadiram a boca. Eu sei. É um modelo simplista e que tem as suas limitações mas deu para me ajoelhar e chupar-lhe a cona enquanto ela tapava a boca para não gritar. Provavelmente, uma das idosas que assistia ao filme numa das filas de trás terá pensado que a minha amiga estava chocada e profundamente emocionada com os obstáculos que se levantavam à personagem do filme. É certo, não vimos a obra. Mas pontuámo-la com a nota máxima. De zero a dois, dois orgasmos.
Tudo isto para dizer que quando vou ao cinema gosto de ver bons filmes. Consigo emocionar-me com o neo-realismo italiano, exaltar-me com a Nouvelle Vague, apaixonar-me pelo noir do Casablanca. Mas não se preocupem que não vou servir de critico à história do cinema. Quero apenas alertar-vos para uma das grandes vantagens das salas que passam filmes fora do circuito comercial: o número de pessoas. Isso mesmo. Um imenso espaço de cadeiras vazias à disposição das vossas fantasias mais férteis. Uma vez, uma amiga convidou-me para ver um dos filmes candidatos ao Oscar. Como é óbvio não deu para fodermos. A sala estava a abarrotar de gente. Mas quando a convidei para vermos um filme italiano, agradeci à imensa sabedoria do realizador e à indiferença dos espectadores.
Abriu-me a braguilha e chupou-me o caralho enquanto a protagonista de um enredo dramático e complexo procurava libertar-se dos estigmas de uma família conservadora do norte de Itália. A minha amiga fê-lo até ao fim. Libertou-me da dureza que trazia dentro há várias semanas e vim-me para que ela pudesse saborear os jactos de esporra que lhe invadiram a boca. Eu sei. É um modelo simplista e que tem as suas limitações mas deu para me ajoelhar e chupar-lhe a cona enquanto ela tapava a boca para não gritar. Provavelmente, uma das idosas que assistia ao filme numa das filas de trás terá pensado que a minha amiga estava chocada e profundamente emocionada com os obstáculos que se levantavam à personagem do filme. É certo, não vimos a obra. Mas pontuámo-la com a nota máxima. De zero a dois, dois orgasmos.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Istambul
Conheci-a num salão de chá em Istambul e acabámos a foder num hotel junto ao Bósforo. Ela mal falava inglês e eu não falava turco. Atraía-nos que não nos conseguíssemos compreender senão pela linguagem corporal. Esse idioma que todos falam do Chile ao Japão, da Namíbia à Finlândia.
Fodemos como se não houvesse amanhã, fodemos como se fosse a única forma de nos entendermos, fodemos porque sim. Era fotógrafa num jornal e quis registar-me. No fundo, como não nos podíamos escrever era a forma de nos deixarmos mensagens de despedida.
Enquanto ela puxava de um cigarro na mesma janela que dava para o mar, e onde a tinha penetrado há momentos, pensava no tremor de terra que havíamos provocado. Há dias, havia lido numa revista que Istambul esperava como Lisboa o próximo grande terramoto. A cidade sobrevivia à espera em cima de uma falha sísmica. Mas naquela noite fomos nós que fizemos abalar o chão.
Fodemos como se não houvesse amanhã, fodemos como se fosse a única forma de nos entendermos, fodemos porque sim. Era fotógrafa num jornal e quis registar-me. No fundo, como não nos podíamos escrever era a forma de nos deixarmos mensagens de despedida.
Enquanto ela puxava de um cigarro na mesma janela que dava para o mar, e onde a tinha penetrado há momentos, pensava no tremor de terra que havíamos provocado. Há dias, havia lido numa revista que Istambul esperava como Lisboa o próximo grande terramoto. A cidade sobrevivia à espera em cima de uma falha sísmica. Mas naquela noite fomos nós que fizemos abalar o chão.
Libertação
Eu não te sei dizer como está Argel depois da morte de Camus. Sei que me apetece flutuar de costas nas águas do Mediterrâneo para me deitar sobre o mundo como quem finge pensar sobre o assunto. Uma vez mais, não quero ser cobiçado pela mulher que me olha derretida do outro lado da esplanada. É bela mas querem-na todos os homens. Só por isso. Quero que ela só se deixe conquistar quando eu levantar a capa do livro que leio. Bem, é um pouco feio tratar o assunto através de conceitos bélicos. Para além disso, não se pode falar de conquistar uma mulher quando se lê Jean Paul Sartre. É sacrilégio. É até sacrilégio falar em sacrilégio. É um assunto sério. Fodê-la sem restrições morais. Fodê-la como se fodessemos juntos o sistema de ideias que transforma o mundo que vivemos num esgoto. Não seria uma conquista. Seria uma libertação.
terça-feira, 15 de julho de 2014
As mulheres
Não era um homem qualquer. Amava as mulheres sem excepção. Sem distinção de etnia, religião ou orientação sexual, amava-as. Buscava o prazer na diferença e nas formas. Rasgava os preconceitos e não tinha problema em beijar um corpo branco ou negro. Pouco se importava com o que gritavam as mulheres quando se vinham no silêncio da noite. Podiam ser gordas ou magras. No fundo, o que ele amava era a diferença e o que traziam dentro.
Não era um homem qualquer. Gostava de viajar mas não da forma como todos viajamos. Não se deixava levar pelos aviões, comboios ou camionetas. Também não se levava através do caminho dos seus passos. Nem rasgava a terra batida com as rodas da sua bicicleta. Viajava de outra forma. Eram os corpos das mulheres que amava que o levavam através do mundo. África, Ásia, América, Europa e Oceânia. Todos os continentes eram pequenos para abafar a sua fome de viajante. Todos os idiomas eram orgasmos arrancados ao prazer.
Não era um homem qualquer. Deleitava-se com os suspiros debaixo dos lençóis e maravilhava-se com os olhos rasgados das chinesas, com as coxas das africanas, com a paixão das americanas e com o charme das europeias. E, na diferença, viajava sem destino. As pernas abriam-se sem fronteiras. Os corpos revolviam-se sem limite. A tesão assumia as melodias de cada cultura. Cada cona era sempre diferente. Os peitos renasciam como montanhas de qualquer que fosse a cordilheira. Os lábios apertavam-se contra os mamilos. O caralho entrava e saía sem pagar visto de entrada. E sempre, sempre, mais do que corpos ou nações, eram mulheres.
Era um homem que as amava e, no fundo, o que ele amava mesmo era a diferença.
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